28 entradas
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Fui designado para o lado de cá do Véu e instruído a catalogá-lo. A instrução diz "ele". Perguntei que parte. A resposta, que levou onze dias, diz "ele".

Contagem preliminar de coisas que exigem entrada: quatrocentas e trinta e uma variedades de arma e armadura antes mesmo de eu sair do arsenal. Requisitei um segundo escriturário. Requisitei um primeiro escriturário.

Uma dificuldade. A mesma espada chega com nove nomes diferentes conforme quem encontrou ela. Determinei que o Códice registra o PADRÃO e não o exemplar. A determinação não agradou aos ferreiros, que acham que a espada deles merece página própria, e vai continuar não agradando.

Desci até a segunda galeria. Tem ali uma aranha que mantém registro próprio, em fio, de todos os que desceram e não voltaram a subir. Profissionalmente, reconheço o impulso. Não falei nada.

Os Wardens sustentam que o Véu é um muro. Os Seekers sustentam que é uma porta. As duas delegações já passaram pelo meu gabinete para explicar que o Códice tem que refletir a posição correta. Registrei as duas posições, lado a lado, na mesma página. As duas delegações saíram descontentes, o que tomo como prova de que a entrada está certa.

Uma coisa que se apresenta como Grand Fromage anda aterrorizando a estrada do leste. Tenho obrigação de catalogar. Cataloguei. Quero que fique registrado que cataloguei por inteiro, com medidas, e que em momento nenhum alguém me explicou o queijo.

Autorizado a viajar por Rift, que não é um lugar mas uma distância tornada transitável por um instante. Cobra aluguel por minuto. Na primeira travessia passou por mim em alta velocidade uma coisa que era inequivocamente uma bota. Abri um processo. O processo está vazio e conto que fique assim.

Comecei a pescar. Isso não consta das minhas atribuições. O Códice exige trinta e cinco espécies catalogadas e decidi que a única forma honesta de fazer isso é pegar os peixes, o que é uma posição defensável e pretendo usar enquanto ela se sustentar.

Alguma coisa se instalou no arquivo. É pequena, guarda a porta de noite e ninguém nunca pediu isso a ela. Não lancei no inventário de bens, porque não é um bem e eu preferia não ter que explicar isso a ninguém.

Voltei a uma entrada que escrevi há quatro anos e a encontrei ainda exata — cada medida, cada marca. Isso não é notável. Notável é a própria coisa, que também não mudou, enquanto três exemplares não catalogados ao lado dela derivaram tanto que tive que recomeçar as páginas.

Testei isso como deve ser. Doze exemplares: seis registrados, seis deixados em branco. Depois de uma temporada, os seis registrados estão inalterados. Dos seis em branco, dois se alteraram, um mudou de lugar e um não está mais em lugar nenhum. Tenho consciência de como soa a conclusão. Confiri as contas duas vezes e as premissas uma, que é a ordem errada, e eu sei disso.

Requisitei onze caixas adicionais de tinta, em caráter de urgência. Indeferido, com o fundamento de que as onze anteriores foram suficientes. Respondi explicando que o mundo está se desfazendo exatamente nos lugares que ninguém escreveu. Fui orientado a usar o formulário correto.

Percorri os distritos de fronteira. O Véu é fino exatamente onde o Códice está vazio e grosso onde está cheio, e a correlação não é próxima, é exata. Não acredito mais que tenham me destacado para fazer um registro. Acredito que me destacaram para manter uma coisa fechada e ninguém quis pôr isso por escrito.

Duzentas entradas nesta temporada. Minha letra piorou e parei de pedir desculpa nas margens. Uma página legível e terminada ganha de uma página bonita e pela metade. Queria que alguém tivesse me dito isso no começo, em vez da outra coisa.

Ele achou a costura e enfiou as duas mãos nela, para ver. Quero deixar claro que eu o compreendo por inteiro. A diferença entre nós é um formulário: ele não preencheu nenhum, eu preenchi nove mil, e é só isso.

Desci. Era necessário — o último andar nunca foi catalogado e os pontos finos estavam se espalhando a partir de logo acima dele. Levei o pequeno guarda da porta do arquivo. Ele voltou comigo. A maior parte de mim voltou comigo.

As entradas mais recentes são mais curtas. Não é desleixo. Existe uma quantidade de mundo e uma quantidade de mão, e só uma das duas está acabando, então as entradas levam o que precisam e nem uma palavra a mais.

Passei o inverno numerando todas as páginas, inclusive as vazias. Uma página em branco com número é uma tarefa. Uma página em branco sem número é um buraco. Quem vier depois deve encontrar tarefas.

Vou deixar o livro onde ele vai ser encontrado. Não terminei. Ninguém termina — foi esse o erro da instrução original, e escrevi uma nota corrigindo isso, no formulário correto, que daqui a onze dias vai ser despachada por alguém que não vai ler.

Você vai reparar que o mundo à sua volta fica mais firme conforme isto se enche. Não é prêmio por organização; é o trabalho em si, e quem está fazendo é você. Não tente terminar. Tente deixar mais cheio do que encontrou, e numere as páginas em branco. — P. Quell, arquivista de segunda classe

Encontrei o livro numa sala seca, com uma nota no formulário correto. Li tudo. Quell se enganou numa coisa: escreveu que ninguém termina o livro como se isso fosse uma derrota. É a descrição do cargo.

Repeti a prova dos doze exemplares com sessenta. O resultado se manteve. Fica registrado que eu tinha esperança de que não.

A coisa pequena da porta do arquivo ainda está aqui, três guardiões depois, o que é mais tempo do que qualquer um de nós aguentou e bem mais do que devia. Ninguém a lançou no inventário. Estou mantendo a tradição.

Não sou arquivista. Sou um pescador que sabia ler, e foi essa a qualificação. A Mord deixou instruções em onze partes. A parte um diz que o orçamento de tinta é causa perdida e que é para parar de escrever sobre isso.

Peixe não se pega querendo. Você põe a linha onde o peixe está e espera, muito tempo, sem fazer nada que se pareça com progresso. Já me disseram que isso também é o trabalho.

Fui ver o pior dos pontos finos, no oeste, onde faltam duzentas páginas. Dá para ficar de pé lá dentro. Você sai de lá tendo esquecido uma coisa, e nunca descobre qual. Comecei a fazer uma lista do que sei, para poder conferir da próxima vez.

O nome desta página foi apagado, pelo guardião ou pela sala. Quem quer que tenha sido despachou mil e cem entradas em quatro anos e não deixou mais nenhuma marca no livro. Ou é a conduta mais profissional de todo o registro ou é a mais triste, e não existe formulário para perguntar qual.

Esta página está em branco fora o número, o que é o procedimento correto. É preenchida por quem estiver com o livro, no fim, com a própria letra. Nunca ninguém chegou ao fim. A página foi numerada mesmo assim — Quell foi muito claro quanto a isso, e nesse ponto todos os guardiões desde então concordaram com ele.
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